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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cinema de cabelo duro - Geledés - Por José Geraldo Couto,

Pelo Malo

"Pelo Malo" traça vasto panorama da sociedade venezuelana atual, sem perder olhar delicado sobre relação familiar que é seu tema

Não é todo dia que chega ao Brasil um filme da Venezuela. Menos ainda, um filme extraordinário como Pelo malo, premiado numa porção de festivais mundo afora, muito bem recebido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, e que entra em cartaz nos próximos dias.
Tudo gira em torno de um impasse aparentemente banal: contra a vontade da mãe, um menino de 9 anos, mulato, quer alisar o cabelo para parecer um cantor popular. A faísca produzida por esse atrito doméstico basta para a diretora e roteirista Mariana Rondón iluminar toda uma sociedade, uma época, um país.
Além de querer alisar seu "cabelo ruim", o pequeno Junior (Samuel Lange Zambrano) gosta de cantar e dançar. Sua mãe (Samantha Castillo), jovem viúva que tenta recuperar o emprego de vigilante particular, vê em tudo indícios de que o filho é – ou está prestes a virar – um maricón. Entre as atitudes que ela toma na esperança de "torná-lo um macho" está a de fazer sexo com o amante diante dos olhos do menino.
O prodígio mais notável do filme é manter em seu centro a tensão da troca de olhares – perplexos, hostis – entre mãe e filho, ao mesmo tempo em que expõe um amplo e vívido painel histórico, social e cultural. Fundo e figura recebem a mesma atenção da câmera, sem que um desfoque ou obscureça o outro.
Caracas é aqui
A Caracas que pulsa na tela, com seu trânsito caótico, seus ônibus lotados, seus ambulantes, suas paredes descascadas e pichadas, seu lixo nas ruas, assemelha-se a qualquer metrópole brasileira. Aqui e ali, entretanto, sobretudo nas breves inserções de programas de TV e rádio, aparecem sinais inequívocos de tempo e lugar: o messianismo popular em torno de Hugo Chávez (então agonizante), a obsessão venezuelana com os concursos de miss.
Parece que Pelo malo foi acusado em seu país de ser "antichavista", o que mostra que a estupidez não tem fronteiras. O alcance de sua crítica vai muito além de um governo e um regime específicos, atingindo uma configuração histórico-cultural comum a todo o continente, com seus preconceitos, estereótipos e hierarquias de gênero, etnia e classe social.
Miss ou soldado
Uma das passagens mais eloquentes, nesse sentido, é aquela em que Junior vai com uma amiguinha (Maria Emilia Sulbarán) ao fotógrafo para fazerem a 3×4 da carteirinha de escola. O fotógrafo diz que, por uns bolívares a mais, ela pode ser fotografada com uma coroa de miss e ele com uma boina do exército. Não há outras opções.
Assim como equilibra sutileza e contundência na exposição de seus temas, a diretora consegue a proeza de não deixar que a gravidade do drama sufoque a leveza e o humor com que a narrativa é conduzida. A imaginação confusa e o espírito lúdico de Junior – em especial, suas tentativas desastradas de alisar o indomável pelo malo – produzem momentos cômicos memoráveis, assim como suas conversas disparatadas com a amiguinha.
Numa cena marcante, as duas crianças estão no corredor externo de seu prédio e se divertem observando os moradores do edifício em frente, um daqueles monstruosos pardieiros com centenas de pequenos apartamentos. Ali eles veem, e vemos junto com eles, que entre as misses e os soldados, há uma gama vertiginosamente variada de existências humanas. O clima ao mesmo tempo triste e divertido dessa cena, espécie de versão terceiro-mundista de Janela Indiscreta, impregna todo o belo filme de Mariana Rondón.


Diretor do MEC afirma que decisão da UnB é exemplo a ser seguido - Afropress

A decisão da Universidade de Brasília (UnB) que, por por intermédio do Conselho de Extensão e Pesquisa (CEPE)– órgão superior da Universidade –, ampliou em 5% o Programa de cotas para negros e indígenas usando a Lei federal como piso e não teto, “é um ótimo exemplo a ser seguido pelas demais instituições de ensino superior do país”. A opinião é de Thiago Thobias, diretor de Políticas de Educação do Campo, Indígena e das Relações Étnicorraciais do Ministério da Educação (MEC). 
Em entrevista ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, Thobias, que é oriundo do movimento social com militância de muitos anos na Rede Educafro, disse ser preciso ampliar o debate e esclarecer que a decisão do CEPE da UnB “é uma grande vitória, que a inclusão está aumentando e que esta decisão deve ser trabalhada pelos que defendem as ações afirmativas de uma forma multiplicadora”.
Na entrevista, Thobias, que pertence à nova geração do movimento negro que chegou ao Governo, disse estar atento às demandas do movimento social. Ele falou do Feriado de 20 de Novembro (reivindicação que, na sua opinião, não foi abandonada), e garantiu que sonha com o dia em que o Brasil crie a “Comissão da Verdade sobre a Escravidão do Negro”, para que se identifique "quem são os descendentes de escravocratas que fizeram fortunas com a escravidão, quais foram os principais algozes dos negros antes e depois da Abolição e o que devemos mudar nos livros escolares".
Nunca é demais lembrar que crimes contra a humanidade são imprescritíveis. Precisamos cada vez mais resignificar nacionalmente o dia 13 de maio, para acabarmos de uma vez por todas com a visão crônica da Abolição da escravidão no Brasil ocorrida graças à Princesa”, acrescentou.
Confira, na íntegra, a entrevista.
 Afropress - Como quadro oriundo do movimento social agora no Governo, como acha que deve ser tratada a agenda do movimento social e do Governo, de modo a preservar a autonomia do movimento?
 TT - Estar no Governo é algo muito honroso, com vantagens e desvantagens, alegrias e tristezas, como em qualquer outro lugar. Mas o exercício do cargo deve ser encarado como uma missão, um dever não só cívico e moral, mas também eficaz, eficiente, honesto, ético e decente em defesa do País. Para isso, não tenho dúvida que manter um canal de comunicação e de diálogo permanente com os movimentos sociais e  com a sociedade,  ouvir suas críticas, sugestões e preocupações são essenciais para formular e aperfeiçoar as políticas públicas em um estado democrático de direito. A agenda do movimento é autônoma, afinal, governo é governo e movimento é movimento; a interação deve ser permanente, mas sem intervencionismo do Estado nos movimentos sociais.
Afropress - Como a sua Diretoria do Ministério da Educação acompanhou e está encarando a decisão do CEPE da UnB que ampliou as cotas em 5% a mais do que o previsto na Lei 12.711/2012?
 Thiago Thobias - A Universidade de Brasília possui um histórico pioneiro, tanto no campo acadêmico quanto em seus posicionamentos políticos e sociais. Foi a primeira universidade federal do Brasil a adotar a política  de 20% de cotas para negros, em 2004.  A universidade foi também uma das primeiras a adotar o vestibular diferenciado para estudantes indígenas. Recentemente, o Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília  adotou 20% de cotas para negros. Por isso, a decisão do CEPE de seguir ampliando o processo não surpreende, já que as ações afirmativas na UnB seguem a lógica que a Lei 12.711/2012 estabelece, ou seja, um piso de 50% de reserva de vagas e, não, um teto.
Afinal, quando a Lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma já existiam dezenas de experiências de ações afirmativas para acesso ao ensino superior.
A legitimidade da decisão do CEPE da UnB  está expressa na regulamentação da Lei de Cotas, no  Decreto nº 7.824, de 11 de outubro de 2012,  parágrafo 3º do artigo 5º, que estabelece de forma expressa: “§ 3º  Sem prejuízo do disposto neste Decreto, as instituições federais de educação poderão, por meio de políticas específicas de ações afirmativas, instituir reservas de vagas suplementares ou de outra modalidade”, bem como no artigo 12 da Portaria Normativa nº 18, de 11 de outubro de 2012, que diz: “As instituições federais de ensino poderão, por meio de políticas específicas de ações afirmativas, instituir reservas de vagas: I - suplementares, mediante o acréscimo de vagas reservadas aos números mínimos referidos no art. 10; e II - de outra modalidade, mediante a estipulação de vagas específicas para atender a outras ações afirmativas”. 
O que posso afirmar é que a iniciativa é criar modalidades específicas de reserva de vagas que ultrapassem o que está estabelecido na Lei federal e que já estão ocorrendo em todo o País. Hoje, 6% das 171.401 vagas do Sistema Unificado de Seleção são destinadas a processos diferenciados de ações afirmativas.
Um exemplo que merece ser estudado é a Universidade Federal da Fronteira Sul que possui campi em três estados sendo,  as vagas reservadas para dos alunos da rede pública de: 86% em  Santa Catarina,  89% no  Rio Grande do Sul e 87% no do Paraná, em relação a reserva de vagas para os autodeclarados pretos, pardos ou indígenas  o percentual destas vagas são de:  16%Santa Catarina, 17% no Rio Grande do Sul e 29% no  Paraná.
Afropress - O professor José Jorge considera a Lei como está um retrocesso, se não houver ampliação como ocorreu na UnB. Como vê isso?
TT - A Lei Federal nº 12.711/2012 é  um avanço!  É o reconhecimento do Estado brasileiro de que as ações afirmativas para acesso ao ensino Superior são uma medida justa e necessária, com a garantia de que todas as universidades tenham cotas para negros, fato que não vinha ocorrendo em todas as universidades que já adotavam ações afirmativas.
Mais uma vez reforço que a Lei é piso e, não, teto. Podemos continuar avançando. Para um melhor entendimento, em relação ao que ocorreu na UnB, antes da Lei Federal,  em um curso com 100 vagas, 20 vagas eram destinadas a estudantes negros; com a Lei, o número passa para 30 vagas. Um aumento de 50%.
Agora, com a decisão do CEPE da UnB  de garantir mais 5%, dando sequência ao exemplo, teremos mais cinco vagas, totalizando 35. Um aumento de 75% do percentual anterior.  Eu compreendo o posicionamento do Professor José Jorge que defende a política de cotas para negros como um processo exclusivamente de reparação, independente de o aluno ser de escola particular ou da sua condição socioeconômica.
A legislação aprovada no Congresso Nacional tramitou por 13 anos até ser aprovada, ocorreram inúmeras audiências públicas, manifestações e debates por todo o País  para construir um entendimento possível. O primeiro princípio foi estabelecer a cota para a Rede pública de ensino, na qual está a maioria dos jovens negros. Posteriormente, o critério de renda per capita inferior a 1,5 salários mínimos - o que, infelizmente, nós negros também somos a ampla maioria – e, em seguida, a cota racial para negros e indígenas. 
O critério de reparação está presente na Lei, mas agregado à condição de ser estudante da escola pública. É nossa obrigação  valorizarmos a escola pública. A decisão do Congresso Nacional está amparada na ampla aprovação dos brasileiros que, segundo um levantamento nacional do Ibope, feito a pedido do jornal O Estado de São Paulo, apontou que quase dois em cada três brasileiros, ou seja, 62% são a favor das cotas. A pesquisa levou em consideração as reservas em universidades públicas para negros, pobres e alunos da escola pública.
Afropress - Como a decisão da UnB pode repercutir nas demais instituições federais de ensino no Brasil?
TT - A decisão da UnB é um ótimo exemplo, a ser seguido pelas demais instituições de ensino superior do País. É preciso ampliar o debate e esclarecer que a decisão do CEPE da UnB é uma grande vitória, que a inclusão está aumentando e que esta decisão deve ser trabalhada pelos que defendem as ações afirmativas de forma multiplicadora.
A Lei ainda permite que a universidade selecione inicialmente os alunos que vão entrar pelo sistema universal e, posteriormente, os que podem entrar pelo sistema de cotas. No Sisu, das 171.401 vagas, cerca de 11% dos que entram pelo sistema de cotas teriam condições de entrar pelo sistema universal.
A portaria normativa nº 18, de 11 de outubro de 2012, em seu artigo 17 dá respaldo legal a este posicionamento, desde que a universidade já tenha cumprido o percentual de 50% das vagas, conforme estabelece a lei. A seleção pelo sistema universal e posteriormente pela reserva de vagas não é novidade, afinal,  os concursos públicos para pessoas com deficiência já aplicam esta medida.
Afropress - Quantas e quais são as instituições que estão cumprindo a Lei nº 12.711/2012?
TT - Todas as instituições federais estão cumprindo a Lei de Cotas desde 2012. Neste ano de 2014, nas universidades federais no Sistema de Seleção Unificado – Sisu  37% das vagas, ou seja, 63.419 vagas foram destinadas para as cotas e 6% (10.285 vagas) para outras modalidades de ações afirmativas, assim como o estabelecido pela UnB, totalizando 43% das vagas do Sisu/2014, que representam 73.704 vagas.
Ainda não foi apresentado o balanço do segundo ano da política, no entanto, levando-se em consideração os resultados do primeiro ano, apresentados em 28 de agosto de 2013, no MEC, podemos concluir que 34% das Universidades Federais e 83% dos Institutos Federais já atendem  à meta de reserva de vagas mínima de 50%, prevista para 2016. Lembrando que a lei estabelece que “As instituições federais de ensino que ofertam vagas de educação superior implementarão, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) da reserva de vagas a cada ano, e terão até 30 de agosto de 2016”.
Afropress - Quais as consequências que haverá com a adoção pelas demais instituições da decisão da UnB para as políticas de ação afirmativa no Brasil?
TT - Básicamente, serão três: o primeiro será o aumento do processo de inclusão,  o segundo a reedição do debate sobre a  importância de  ampliar a política de cotas e por fim a reedição dos argumentos contrários. Nós que defendemos a inclusão devemos estar preparados para os novos e desafiadores debates que vão surgir, o que é muito saudável.
A luta pela democratização do acesso ao ensino Superior não está ganha, devemos estar atentos para aperfeiçoar o monitoramento, os mecanismos e corrigir eventuais falhas no percurso. Para isso, existe um Comitê de Acompanhamento da reserva de Vagas e uma Comissão da Sociedade Civil de Acompanhamento da reserva de Vagas.
Afropress - Como a sua diretoria está trabalhando no sentido do cumprimento da LDB, que obriga por meio da emenda à Lei (Lei nº 10.639/2003), a inclusão do ensino da história da África e cultura afro-brasileira nos currículos das escolas de ensino fundamental e médio?
TT - Nós estamos trabalhando com uma visão sistêmica da educação para as relações étnicorraciais. O Ministério da Educação é um indutor das políticas educacionais. Sou um herdeiro de importantes iniciativas que surgiram para a promoção da igualdade racial no âmbito no MEC, sendo cada qual feita ao seu tempo.
Por isso, antes de demonstrar as nossas ações, faço questão de render homenagens a todos e todas trabalharam a temática da população negra no MEC e  no Conselho Nacional de Educação-CNE. A vida é dura! Mas recebi o “bastão” com boas propostas, por isso, a importância de uma estrutura permanente como a Coordenação-Geral de Educação para as Relações Étnicorraciais, hoje coordenada pela professora Ilma Fátima de Jesus. Dentre as principais ações para a implementação da Lei, desde 2012, destacamos: 
“Síntese da coleção História Geral da África” - A distribuição do livro de “síntese da coleção História Geral da África” é composta por dois volumes. Serão produzidos 80 mil volumes de cada exemplar, totalizando 160 mil livros. A distribuição ocorrerá a partir de junho de 2014  para  32.756 escolas públicas. O investimento previsto é de R$ 1.460.000,00. Material disponível para download em  www.unesco.org.br/;
* “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Infantil” - A distribuição do livro de “História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Infantil” ocorrerá no segundo semestre. Serão distribuídas 282.000 obras para 86.571 escolas públicas. O investimento previsto é de R$ 781.000,00 Material disponível para download http://www.unesco.orb.br/‎;
  * Criação de novas subações de assistência técnica em 2013, tais como : a) Qualificar gestores escolares, professores/as, demais profissionais da educação e lideranças sociais para a implementação das DCNs para a Educação Escolar Quilombola;Foram 165 municípios que solicitaram, sendo 155 projetos foram aprovados. Previsão de investimento R$ 5.418.499,00 b) Qualificar os gestores das Secretarias de Educação, gestores escolares, profissionais da educação, membros dos fóruns de educação e diversidade étnico-racial e as lideranças indígenas para a implementação das referidas diretrizes; Ação criada em 2013. Foram 1177 que solicitaram, sendo aprovado recurso para 755 municípios. Previsão de investimento de R$ 17.848.235,72;
* Distribuição de 200 mil exemplares do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, no primeiro semestre de 2014; Previsão de investimento R$ 555.000,00;
* Distribuição dos Indicadores de Qualidade da Educação – Relações Raciais na Escola.  O material trabalha sete dimensões: 1) atitudes e relacionamentos; 2) Currículo e proposta político pedagógica; 3) Recurso didático-pedagógicoss;4) Acesso, permanência e sucesso na escola; 4) A atuação das/dos profissionais de educaçãoé uma parceria da Ação Educativa, Seppir, Unicef e Ministério da Educação; 6) Gestão democrática; 7) Para além da escola. O trabalho é uma parceria da Ação Educativa, Unicef, Seppir e MEC e  já está  disponível para download no site http://www.indicadoreseducacao.org.br/;
* Distribuição do KIT A Cor da Cultura II. Serão distribuídos 20 mil exemplares, para escolas que participaram da formação do Projeto A Cor da Cultura, no primeiro semestre de 2014;
* Distribuição de 50 mil exemplares do aluno e 5 mil exemplares do de professor para as escolas públicas da Bahia, do Almanaque Bahia de Todos os Santos e Quilombos;
          * Programa Nacional de Biblioteca da Escola Temático  – Pnbe para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio com obras de referência com especificidades do campo e das comunidades quilombolas.  Os acervos serão formados por 45 títulos, englobando todos os temas (Indígena; Quilombola; Campo; Educação de Jovens e Adultos; Direitos Humanos;  Sustentabilidade Socioambiental; Educação Especial;  Relações Étnico-raciais; Juventude) para 60 mil escolas, correspondendo a aproximadamente 3,8 milhões de estudantes. Previsão de entrega , segundo semestre 2014.
* Diálogo permanente mantido com ABPN, ANPED, NEABs e Fóruns de Educação e Diversidade Étnico-Racial, com representação de organizações do movimento negro, para implementação da Lei nº 10.639/2003;
* Participação em diálogos regionais e estaduais para debater a implementação da Lei 10.639/2013;
* Parceria com o IPEA para o monitoramento da Lei nº 10.639/2003;
* Reuniões periódicas com a CADARA -  Comissão Técnica Nacional de Diversidade para Assuntos Relacionados à Educação dos Afro-Brasileiros;
* Definição de critério para autorização, reconhecimento e renovação de cursos superiores, no cumprimento do disposto no Art. 1º, §1º da Resolução CNE/CP nº 01/2004, incluído pelo INEP no Instrumento para Avaliação Institucional Externa (presencial), que subsidia o ato de credenciamento e recredenciamento institucional e a transformação de organização acadêmica em 2013;
* Acompanhamento e participação no processo de elaboração das Diretrizes Operacionais da Lei nº 10.639/2003 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE);
* Ampliação da rede de instituições de ensino superior para atender a demanda dos cursos de especialização e aperfeiçoamento  em Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola. Saltamos de 6 instituições em 2011 para 45 em 2014;
* Criação do site (http://etnicoracial.mec.gov.br/) para divulgação da Educação para as Relações Étnico-Raciais nos 10 anos da Lei nº 10.639/2003;
* O Prêmio “Curta Histórias” (http://curtahistorias.mec.gov.br)  é um premiação festival voltado para alunos matriculados na educação básica da Rede pública de ensino de todo o País e visa incentivar novos talentos e estimular o desenvolvimento de atividades pedagógicas e audiovisuais de cunho cultural e educativo em escolas públicas brasileiras seguindo a perspectiva da Lei 10.639/03. O Tema deste ano é “personalidades negras”. A organização é do Ministério da Educação/ Secadi em parceria com a Fundação Vale, Fundação Telefônica, Fundação Palmares e UNESCO;
* Criação do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento - Portaria MEC nº 1.129, de 17 de novembro de 2013. O Programa coordenado pela CAPES e MEC/SECADI sendo destinado para estudantes negros, indígenas e pessoas com deficiência. São três os eixos de atuação: 1) mobilidade acadêmica, 2) cooperação internacional e 3) promoção de programas de acesso ao mestrado e doutorado no Brasil. As ações possuem foco nas temáticas de promoção da igualdade racial, história e cultura afrobrasileira e combate ao racismo, acessibilidade e valorização das especificidades socioculturais e linguísticas dos povos indígenas, dentre outras. Os editais serão lançados no primeiro semestre de 2014, podendo os projetos de universidades brasileiras estabelecerem parcerias com universidades de todo o mundo;
* Instituição da Bolsa Permanência de R$ 900,00 para estudantes matriculados em instituições federais de ensino Superior e que estejam em situação de vulnerabilidade socioeconômica e para estudantes negros, indígenas e quilombolas oriundos das escolas públicas (alunos da Graduação);
* Educação como Ponte Estratégica Brasil África é uma  cooperação Brasil–África  por iniciativa do MEC em parceria com países africanos de língua portuguesa. O objetivo é elaborar uma forma inovadora de cooperar e alicerçar um Programa de Cooperação Educacional;
* Pronacampo – ao acesso e a permanência na escola, à aprendizagem e à valorização do universo cultural das populações do campo, sendo estruturado em quatro eixos: Gestão e Práticas Pedagógicas – Formação Inicial e Continuada de Professores - Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional - Infraestrutura Física e Tecnológica para comunidades do campo e quilombola;
* O apoio à realização da pesquisa Práticas Pedagógicas de Trabalho com as Relações Étnico-Raciais na Escola na Perspectiva da Lei 10.639/2003, coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG;
* O apoio técnico e financeiro à formação de gestores e educadores no âmbito do Plano de Ações Articuladas – PAR, contemplando a Educação para as Relações Étnico-Raciais como um dos eixos do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, realizado com 166 municípios polos;
* Pesquisa nos currículos das instituições de ensino superior, com vista a garantir a implementação da Lei 10639/2003 nos cursos de licenciatura;
* Plano Juventude Viva contra a mortalidade da juventude negra – Projovem Urbano, Projovem Unidades Prisionais, Educação de Jovens e Adultos, Mais Educação, implementação da Lei 10639/2003 e o PRONATEC nos territórios prioritários do Juventude Viva
Enfim, são muitas as iniciativas e seguimos como norte o Plano de Implementação da Lei. Por isso, o Ministério da Educação instituiu a Portaria Normativa nº 21, de 28 de agosto de 2013, que dispõe sobre a inclusão da educação para as relações étnico-raciais, do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo nos programas e ações do Ministério da Educação e a coleta do quesito raça/cor nos instrumentos de avaliação, coleta de dados do censo, bem como em suas ações e programas quando couber. Outro fato importante é que precisamos debater a percepção da rede municipal e estadual de educação em relação à implementação da lei 10.639/2003.
Veja, por exemplo, no questionário socioeconômico da Prova Brasil de 2011, que o INEP aplica para alunos da quarta e oitava séries (quinto e nono anos) do ensino fundamental. A resposta basicamente censitária constatou que: 92.86% dos diretores responderam que conhecem a lei, contra 64.05% dos professores, quando perguntado se foram desenvolvidas atividades para atender o determinado pela lei, 86,59% dos diretores, contra 58,06% dos professores responderam que desenvolveram de maneira abrangente ou isolada o que determina a lei 10.639/2003.
Precisamos refletir em relação às estas respostas. Será que está é a percepção dos alunos, da sociedade e de especialistas? Enfim, estamos sistematizando as respostas de 2013 e vamos promover um amplo debate com gestores, sociedade e especialistas. Os indicadores de Qualidade da Educação – Relações Raciais na Escola será o nosso principal instrumento.
Afropress - O movimento social negro parece ter abandonado a luta pelo feriado de Zumbi (20 de novembro), por que acredita que isso aconteceu?
TT - O feriado nacional da consciência negra, no dia 20 de novembro jamais deve sair do nosso horizonte. O movimento social negro não abandonou está pauta. Existe feriado ou dia da consciência negra em mais de 800 municípios do país.  A Lei 12.519 de 10 de novembro de 2011 cria o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares, no entanto, não considera a data feriado nacional.
Afropress - Como considera que devamos tratar o tema da Abolição da escravidão no Brasil, abandonado na agenda do movimento social negro?
TT - O Brasil foi o último País do ocidente a abolir formalmente a escravatura. A lei Áurea, sem dúvida, representa um marco jurídico importante na história do Brasil. Creio que o movimento negro deva manter viva a luta e o reconhecimento pelo dia 20 de novembro como nosso maior símbolo de resistência, mas não podemos perder de vista o dia 13 de maio que, queiram ou não, é uma data oficial da nossa história. Tenho apreendido muito estudando a Comissão da Verdade, chego a me emocionar com os depoimentos das vítimas e das famílias.
O nosso país está  tendo a coragem de reescrever a história e dando um grande exemplo para os mais jovens que assim como eu nasceram em uma democracia, por isso, sonho com a criação da “Comissão da Verdade sobre a Escravidão do Negro no Brasil”, afinal, quem são os descendentes de escravocratas que fizeram fortunas com a escravidão no Brasil, quais foram os principais algozes dos negros antes e depois da abolição, o que devemos mudar nos livros escolares, quais são os chamados heróis que merecem ter seus títulos destituídos por terem massacrado os negros, como  e quem foram os traidores do  massacre de porongos? O Bandeirante Borba Gato, que possui uma gigantesca estátua na avenida Santo Amaro, em São Paulo, merece está estatua? Nunca é demais lembrar que crimes contra a humanidade são imprescritíveis. Precisamos cada vez mais  resignificar nacionalmente o dia 13 de maio, para acabarmo de uma vez por todas s com a visão  crônica da abolição da escravidão no Brasil ocorrida graças à princesa.
Afropress - Como quadro oriundo do movimento social agora no Governo, como acha que deve ser tratada a agenda do movimento social e do Governo, de modo a preservar a autonomia do movimento social negro?
TT - Estar no Governo é algo muito honroso, com vantagens e desvantagens, alegrias e tristezas, como em qualquer outro lugar. Mas o exercício do cargo deve ser encarado como uma missão, um dever não só cívico e moral, mas também eficaz, eficiente, honesto, ético e decente em defesa do País. Para isso, não tenho dúvida que manter um canal de comunicação e de diálogo permanente com os movimentos sociais e  com a sociedade,  ouvir suas críticas, sugestões e preocupações são essenciais para formular e aperfeiçoar as políticas públicas em um estado democrático de direito. A agenda do movimento é autônoma, afinal, governo é governo e movimento é movimento; a interação deve ser permanente, mas sem intervencionismo do Estado nos movimentos sociais.
Afropress - Faça as considerações que julgar pertinentes.
TT - Quero registrar a parceria e a liderança da Secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão, Macaé Maria Evaristo, a primeira mulher negra a ocupar o cargo de Secretária no Ministério da Educação. A sua experiência  e apoio político tem nos ajudado neste difícil processo, bem como o trabalho da Coordenadora-Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais, Ilma Fátima de Jesus.
Não estamos encontrando dificuldades em lidar com a temática no MEC,  o  Ministro Aloizio Mercadante e do Ministro José Henrique Paim ambos possuem compreensão da importância da educação das relações étnico raciais. A grande prova disso foi a rápida implementação da política de cotas no ensino superior. O Ministro Henrique Paim é o primeiro Ministro negro da história do MEC. Este é um fato importante e tem um simbolismo para a nossa geração de cotistas que estão vindo por ai.
Os desafios são gigantescos, digo isso porque foram 350 anos de escravidão e 126 anos de ausência de politicas de promoção da igualdade racial e de combate ao racismo. O movimento negro jamais se dobrou a opressão, a resistência tem sido a marca da população negra no país. A luta não começou hoje, mas desde a constituinte de 1988 e mais especificamente nós últimos 10 anos os avanços são observados em programas que vão do: “bolsa família, passando pelo salário mínimo até chegar nas cotas”. A educação é o nosso horizonte, por isso estamos trabalhando para lançar uma ação chamada “A Educação na Década Internacional dos Afrodescendentes - 2015-2024”  tendo como base o PNE, a política de cotas e o Plano Nacional de Implementação da Lei nº 10.639.

Rio Grande do Sul é exemplo no combate a violência contra mulheres - Geledés

maria-da-penha-sul

Com iniciativas como a Patrulha Maria da Penha, o Observatório de dados e a ampliação da quantidade de delegacias especializadas, o Estado do Rio Grande do Sul tem se tornado exemplo quando o assunto é política de prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher, segundo Aparecida Gonçalves, secretária responsável por esse setor da Secretaria de Políticas para Mulheres, do governo federal.
"Cada Estado tem uma realidade, tem Estado que a delegacia fecha às 13h. Falta uma cultura, falta mudança de comportamento e cultura do Estado e das pessoas. Falta maior investimento em segurança pública, faltam serviços especializados, juizados, delegacias [da mulher]. Não chegamos a ter isso nem em 8% dos municípios. Falta mudar comportamento e cultura, falta a Lei Maria da Penha funcionar no País inteiro", afirma.
De acordo com ela, essa mudança de comportamento está vindo do sul. As ações que vêm sendo desenvolvidas no Estado desde 2011 foram elogiadas por ela, em entrevista ao iG.
Segundo a chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul, Raquel Arruda Gomes, o Estado diminuiu os índices de violência contra as mulheres após 2011, quando a SSP passou a fazer o levantamento dos números da violência.
"Não tinha esse tipo de dados. Após um pedido da assembleia legislativa percebemos que teríamos que dar uma resposta para a sociedade. Pegamos as ocorrências policiais uma a uma e criamos o observatório. Em 2011, eram aproximadamente 40 mil ameaças, 27 mil lesões corporais, 1.300 estupros e 100 femicídios, que são mortes anunciadas. O marido ameaça, insulta, bate e só depois mata. Um trabalho que se pode fazer a prevenção", disse.
De acordo com um levantamento do governo gaúcho que analisou os assassinatos de mulheres em função do gênero, os femicídios, cometidos entre 2006 e 2011, a metade (50,4%) dos casos tem como autor o atual marido ou companheiro; 25,5% são cometidos por ex-companheiros ou ex-maridos; e em 83,48% dos casos, o assassinato ocorre na residência da própria vítima. O estudo apontou ainda que em 41,7% desses casos já havia registros de outros delitos que antecederam o homicídio.
Segundo Raquel, isso acontece porque as delegacias especializadas no atendimento à mulher trabalhavam isoladas do Judiciário e não tinham apoio de outras esferas do próprio governo. "Após a delegada pedir a autorização da medida protetiva [que impede que o agressor se aproxime da vítima], não sabíamos se ela tinha sido autorizada. Não tínhamos acesso aos dados da Justiça. Além disso, não tinhamos garantias de proteção e não havia rede que pudesse complementar ao serviço da delegacia e monitorar o cumprimento das medidas protetivas. Por isso, entramos em contrato com o judiciário e conseguimos acesso aos dados", explicou.
Esse, segundo ela, foi o primeiro passo para fazer o diagnóstico dos números da violência no Estado e criar uma forma de proteger a mulher que já procurou uma delegacia especializada, já denunciou o agressor e mesmo assim, é agredida novamente ou até mesmo assassinada.
Assim foi criada a Patrulha Maria da Penha, com equipes da Brigada Militar destacadas para visitar periodicamente vítimas de agressão e garantir que as medidas protetivas sejam cumpridas. A princípio foram criadas quatro equipes apenas na capital, Porto Alegre. Hoje são 13 (também em outras cidades) e a expectativa é que sejam criadas mais 20 equipes até o fim do ano.
Outra frente importante, segundo Raquel, foi a criação das salas Lilás, em 13 Institutos Médicos Legais (IML) do Estado, voltadas exclusivamente para mulheres.
"As mulheres são mais de 70% dos atendimentos dos postos médicos legais, mas não tinham um olhar para ela. Quando elas tinham que procurar o serviço, ficavam até na mesma sala do agressor. Havia também problema na coleta de material, no caso do estupro, e não havia padronização no procedimento, o que trazia prejuízo para identificar a autoria", diz.
Mas o trabalho não pode ser voltado apenas para mulher, tem que envolver a sociedade e o agressor, diz ela. Por isso, o Estado, por meio da Coordenadoria Penitenciária da mulher, também oferece um trabalho de combate a reincidência, com conscientização no presídio e monitoramento após do agressor ser solto.
As iniciativas foram reconhecidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) neste ano, que premiou o Estado na categoria 'Governante: A Arte do Bom Governo'.
Além do prêmio, o Estado vem vendo os números da violência contra a mulher caindo. Segundo dados do governo, o número de femícidios, caiu de 102, em 2012, para 92 no ano passado, os estupros caíram de 1.331 para 1.162, lesão corporal tiveram queda de 27.145 para 25.964 no ano passado.
Outros Estados
Apesar das quedas no número de violência no Rio Grande do Sul, Aparecida Gonçalves, do governo, diz que, no geral, o Brasil ainda está muito atrasado em relação ao tema. Estados, como Alagoas, que ela definiu como "complicado", por ter uma rede de atendimento à mulher vítima de violência frágil, e o Espírito Santo, por concentrar a maior quantidade de assassinatos de mulheres em proporção ao número de habitantes do País, segundo o Mapa da Violência, são lugares que demandam bastante atenção por parte dos governos.
No Espirito Santo, segundo o Mapa da Violência- Homicídio de Mulheres no Brasil, de 2012 (o mais recente),175 mulheres foram mortas em 2010 - taxa de 9,8 assassinatos para cada 100 mil habitantes. De acordo com Leonor Araújo, subsecretária de Movimentos Sociais da Casa Civil do Espirito Santo, 60% desse total foram causados por violência doméstica. "É um crime difícil [de combater] porque o acesso é difícil e a polícia não pode interferir diretamente, a não ser que tenha uma denúncia", disse. Segundo ela, a própria vítima de violência não denuncia por medo do agressor, que na maioria das vezes é o marido (ou companheiro), por uma "questão cultural", que favorece o machismo, por dependência financeira, e por desconhecimento em relação aos próprios direitos.
"As causas [para o medo de denunciar a agressão] geralmente são a falta de qualificação profissional, que causa a dependência financeira, e faz com que ela fique em um casamento violento. Ela também tem medo de se separar do marido e perder a guarda dos filhos. A pouca informação contribui para violência. A mulher não sai desse ciclo e não denuncia. Quando ela chega na delegacia, está há anos sofrendo violência", diz Eleonor.
Ela admite que o Estado tem políticas frágeis de combate à violência contra a mulher (inclusive no levantamento de dados sobre o assunto) e que a cultura "predominantemente machista do capixada" favorece o grande número de assassinatos de mulheres. Mas diz que está o Estado está trabalhando para ampliar a rede de proteção às vítimas.
"Estamos ampliando o número de delegacias especializadas, qualificando policiais para trabalhar com esse tipo de público, criando um centro especializado para atendimento à mulher vítima de violência, que deve ser inaugurado até novembro, com psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e cientistas sociais, além de um trabalho com os homens agressores em dois presídios do Estado".
Em Alagoas, também citado pela representante do governo, segundo colocado no ranking de Estados com mais mortes de mulheres, 134 mulheres foram assassinadas em 2010 (8,3 para cada 100 mil habitantes).
De acordo com Solange Albuquerque Viegas, superintentende de Promoção dos Direitos e de Politicas para Mulheres da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, 70% dos assassinatos de mulheres são em decorrência da violência domestica e 30% são em decorrência do envolvimento com tráfico de drogas e por causa da violência urbana, como assaltos e balas perdidas. Ela diz que o Estado vem trabalhando uma mudança de mentalidade das próprias mulheres para que elas denunciem a violência sofrida.
"Precisamos de mais campanhas informativas e educativas. Em março fizemos uma na televisão com inserções por uma semana. O objetivo é trabalhar junto às mulheres para que elas sejam menos violentadas e que elas denunciem. Nossa perspectiva é que dimunua o número de mulheres violentadas e que eliminemos o número de mulheres mortas neste contexto", diz.
Violência contra a mulher no Brasil
Segundo o Mapa da Violência 2012 - Homicídios de Mulheres no Brasil, de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, o País é o sétimo no ranking mundial de assassinatos de mulheres, com uma taxa de 4,4 homicídios em 100 mil mulheres.
Ainda de acordo com o estudo, que analisou 70.270 ocorrências de violência contra mulheres registradas no Sistema Nacional de Atendimento Médico (Sinan) em 2011, a maior parte das ocorrências (71,8%) acontecem dentro da casa da vítima. O estudo indicou que o conjuge foi o autor em 27,6% dos casos de agressão. Esse percentual sobre para 49,3% das ocorrências, no caso de mulheres entre 30 e 39 anos que sofreram agressão física em 2011.
Além disso, o estudo indicou que a violência física é prepoderante, englobando 44,2% dos casos. A psicológica ou moral representa 20,8% dos casos, enquanto a violência sexual é responsável por 12,2% dos atendimentos.

Faustão diz que bailarina de Anitta tem "cabelo de vassoura de bruxa" - Geledés

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Faustão recebeu a cantora Anitta no Domingão do Faustão do último domingo (20) e relembrou o episódio em que uma das dançarinas da cantora denuncia sobre sentir o pum de Anitta na van. A tal bailarina é Arielle Macedo, a quem Faustão se referiu como aquela que tem "cabelo de vassoura de bruxa".
Teve gente que nem reparou, teve quem achou tranquilo, apenas mais uma das brincadeiras do apresentador, mas teve quem se ofendesse com o apelido. A página no Facebook Cacheando em Salvador postou uma imagem da bailarina, com frases de indignação pelo episódio e o link do vídeo, que você confere aqui.
"No programa de hoje, no domingão do Faustão, o apresentador Fausto Silva, destilou todo seu racismo contra uma das dançarinas da cantora Anitta, a Arielle Macêdo. Não aceitamos mais que nos seja imposto os padrões eurocêntricos de beleza! Não iremos tolerar que racismo seja reproduzido em nenhum ambiente e em grande mídia então. Não aceitaremos mais que nos "eduquem" para sermos racistas!", diz o texto. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sobre alisamento capilar, racismo e liberdade por Rebeca Nascimento - Blogueiras Negras

Quero falar sobre alisamento com quem ainda alisa o cabelo. Acredite, você não é melhor nem pior que ninguém por causa disso e talvez só te falte conhecimento sobre a agressividade que você ainda pratica contra si mesmx. Um pouco de vontade de entender e guarda baixa e eu prometo que a compreensão se tornará fácil. Sei que existe uma parcela considerável de meninos que praticam alisamento nas madeixas, mas a opressão acontece com mais vigor pra cima do gênero feminino. Alisei os cabelos por 14 anos que me fizeram ter propriedade pra falar sobre essa rotina capilar opressora. Você sabia que o padrão de cabelo liso é europeu e nos é imposto? Sim, observe quantos salões brasileiros oferecem todas as formas de alisamentos possíveis e vivem lotados de meninas buscando tratamentos ilusórios para seus cabelos crespos.
A simbologia que isso nos trás é a de que: negue, alise sua raiz, aquele seu fio crespo que está começando a nascer resistente a quem te impõe o liso, é muito feio. O esconda. Você não consegue perceber isso, pois a mesma lógica opressora te faz responder que isso não é racismo, não é preconceito consigo mesma e que você só alisa o cabelo, pois é mais prático ou por que combina mais com você. Eu sei disso, visto que era a desculpa que eu sempre usava pra não reconhecer o quão errado e chato é se negar. Como é frustrante perceber que seu cabelo nunca vai ser igual aos anúncios racistas e que os produtos utilizados para alisar o seu cabelo só o detonam cada vez mais. Como acaba sendo cruel consigo mesma não dar visibilidade àquilo que é bonito. Sim, cabelos crespos são lindos, moça.
Eu concordo e defendo a bandeira de que o corpo é seu e de que você tem o direito de fazer o que quiser com ele, mas, por favor, reflita antes de tudo: O que você tem feito é por que você quer? Se você quer, o que te motiva a isso? Se no final, a resposta te levar a um padrão de opressão, tá tudo errado. Acredito que o mesmo vale pra quem tem o cabelo liso ou encaracolado e quer a todo custo “baixar” o volume. Quem foi que te disse que o volume precisa ser baixo? O alto é muito mais divertido. Não acredite que você precisa recorrer a produtos esdrúxulos periodicamente pra ter um cabelo legal. O padrão racista adotado na indústria cosmética não quer que você resista ou perceba o quanto ela oprime a nossa identidade.
O período de transição não é fácil, eu ainda estou nele, mas a delicia de sentir cada centímetro crescendo e dando volta é muito gratificante. Você se redescobre e se descobre diferente de quem ainda precisa correr da chuva, de quem ainda precisa ir ao salão pra esconder a raiz, de quem ainda estica e puxa no secador, de quem liga a chapa pra fritar o cabelo, de quem se nega e não resiste à opressão, você se descobre diferente de quem quer ser igual. Talvez um dia todas prestem atenção no racismo sutil e ainda forte por trás da indústria que ainda insiste em nos encaixar em um padrão que não nos visibiliza. Mas juntas, somos e seremos ainda mais fortes. Força e liberdade pra dentro e fora da cabeça.

Movimento se omite, diz idealizadora do "Paixão de Cláudia" - Afropress

Na mesma semana em que o cineasta carioca Flávio Leandro fez críticas contundentes a omissão de entidades e a órgãos públicos, segundo ele, omissos e ausentes em relação às demandas da população negra brasileira, a artista plástica, pesquisadora e educadora, Renata Felinto, uma das idealizadoras da manifestação “Paixão de Cláudia” que acontece nesta sexta-feira da Paixão (18/04), em S. Paulo, disse que o movimento negro ligado a partidos e grupos de poder "possui discursos e ações que estão distantes das realidades dos negros e negras” e que as ações como a que será promovida “só parece possível para quem não tem vínculos partidários”.
Quando perguntada que entidades estão apoiando o ato de protesto em homenagem a Cláudia Ferreira, a mulher da favela da Congonha, no Rio, morta no mês passado e arrastada por uma viatura por policiais, ela respondeu: “Nenhuma”.
E acrescentou: “Nós estamos patinando, estamos na lama (...). Estamos no “salve-se quem puder”, cada um vendo o que interesse à sua entidade, que alianças podem ser feitas para beneficiar a si próprios, o que se ganha e se recebe em troca de determinados favores, um trabalho que não está sendo pensado para a população negra, salvo raras exceções. Precisamos de líderes, de pessoas que não tenham receio de quebrar com seus partidos (...) que a bandeira seja a nossa ancestralidade que não pensem em se autobeneficiar, que estejam lá por todos, românticamente por idéias e avanços”, destacou.
A manifestação, de caráter político-cultural, que está sendo convocada pelas redes sociais e no boca à boca, acontece a partir das 14h, com concentração em frente à Igreja Nossa Senhora da Consolação, na Avenida Consolação, terminando em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos HOmens Pretos, no Largo do Paissandu, onde está a estátua em homagem à Mãe Preta. Os participantes estão sendo convidados a se vestirem de preto e a carregarem rosas verlhas.
Felinto é artista visual, pesquisadora e educadora, doutoranda em Artes Visuais pela Unesp, com formação em Curadoria e Museus de Arte pela Universidade de S. Paulo (USP). Foi educadora e coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil.
Veja, na íntegra, a entrevista concedida ao jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.
Afropress - Como surgiu a idéia de promover a manifestação "Paixão de Cláudia" nesta sexta-feira santa?
Renata Felinto - Quando a Claudia da Silva Ferreira veio à óbito de uma forma horrenda, fiquei muito chocada e, ao mesmo tempo, observando a naturalidade com que a grande mídia e a sociedade civil estavam aceitando essa situação. Era o limite de agressões constantes que nós negros sofremos diáriamente. Só neste ano, um adolescente amarrado nu a um poste como numa aquarela de Debret do século XIX; depois um moço preso por dias “por engano”; e para fechar de forma bárbara, uma mulher negra baleada acidentalmente, socorrida pela PM e arrastada por 350 metros. Uma mãe de família, que criava quatro filhos e mais quatro sobrinhos, uma guerreira, uma lutadora e a imprensa notificou esse acontecimento, tal qual um fato corriqueiro. Manter o silêncio seria aceitar essa atrocidade como algo corriqueiro e não o é.
Poderia ter sido com uma mulher da minha família, com uma amiga, comigo, entretanto, foi com uma desconhecida, mas que está na mesma labuta que eu e muitas diariamente, na verdade, numa labuta mais brutal ainda cotidianamente dado o contexto do local onde ela vivia com os filhos e o marido.
Fiz um chamado no coletivo de mulheres negras que existe numa rede social e houve uma grande discussão e adesão inicial. Estendi esse convite no meu perfil e convidei as pessoas a se reunirem para pensarmos na data da Paixão de Cristo, tendo a Claudia como uma espécie de Cristo, como se o que lhe passou fosse o ápice das torturas e violências que nós, negros e, especialmente negras, estamos sujeitos nessa sociedade contemporânea e demagógicamente democrática.
Como a Igreja enquanto instituição, opina em assuntos de menor relevância e em fatos como estes silencia, se esquiva, a data da Paixão de Cristo era a adequada, mas como “Paixão de Cláudia”. Mulher preta, mãe preta, mais uma mãe preta num país criado às custas das mães pretas. Quem vai ressuscitar depois? O povo negro e nossos aliados coloridos, sejam eles brancos, mestiços, amarelos, vermelhos. Vamos ressuscitar enquanto consciência de coletividade, enquanto ato da sociedade civil negra, que se manifesta por meio da arte, arte como instrumento de conscientização que sempre foi.
Pensei também nesta data por ser feriado, não queremos problemas de entraves na cidade, não somos vândalos e nem queremos nenhum tipo de rótulo do tipo ou transtornos. Desejamos nos expor, mostrarmos nossas caras negras, que existimos e estamos aqui observando esse genocídio e não o aceitamos.
 Afropress - Quais as entidades e coletivos que efetivamente estão participando da convocação da manifestação?
RF - Há muitos artistas e ativistas que não estão necessariamente ligados a pessoas jurídicas. Mas podemos citar alguns nomes, tanto das pessoas físicas, quanto das jurídicas, porque muitas vezes elas trabalham na entidade “x”:, mas isso não quer dizer que essa entidade nos apóie oficialmente.
Assim, o Instituto Feira Preta, da Adriana Barbosa tem nos apoiado cedendo documentações que precisam ser concedidas por uma associação e não por uma empresa como inicialmente a Cubo Preto Ensino de Arte e Cultura, que estava à frente disso. O Adriano José trabalha para o Instituto Feira Preta e para a Cubo Preto e tem amplo conhecimento de tais trâmites. A Ação Educativa tem cedido seu espaço para reuniões, assim como o Estúdio Morro do Roni Hirsch e da Paula Salvatore. Algumas das mulheres do Blogueiras Negras como a Dara Ribeiro, a Kaísa Isabel e a Paola Ferreira estão auxiliando e trabalhando ativamente. O Negraiz Rosa que atua junto à Fundação Bob Marley. O Vinicius Almeida que faz parte do Coletivo Arrua. O Nabor Júnior fundador da revista O Menelick 2ºAto. O Lau Francisco e a Semayat Oliveira a partir da Rede de Empreendedores Negros Kultafro, da qual muitos de nós fazemos parte, ainda que ela esteja atuando mais lentamente neste momento, continua a representar uma iniciativa espetacular tocada pelo Luiz Paulo Lima e pelo Lau Francisco com afinco. A Juliana Gonçalves que trabalha na CEERT. A Olyvia Bynun, a Janaina Barros, o Wagner Viana, a Natália Marques e a Ana Zumas que são artistas visuais. A Casa das Caldeiras que cederá seu tablado para as apresentações.
A equipe do gabinete do deputado federal Paulo Teixeira que está apoiando com a impressão de material gráfico e, se houver tempo, se a burocracia permitir,  com equipamento de som e transporte. E tem um núcleo fundamental nessa organização que é a artista visual Larissa Glebova, a designer Nina Vieira, ligada ao Manifesto Crespo e Taisa Souza criadora da Roda da Mãe Preta.  
Ressalto os vários artistas que se apresentarão gratuitamente e em condições não ideais porque ainda não temos algumas questões fundamentais contratadas, como é o caso do Vitor da Trindade e de seu filho Zinho Trindade, do grupo Ilú Oba De Min, que foi o primeiro a aderir ao ato e é formado por mulheres, as poetas Tula Pilar, Elizandra Souza e Jenyffer Nascimento, o grupo Sambaqui, a Cia Sansacroma, a pesquisadora e dançarina Luciane Ramos, enfim, há muitas pessoas envolvidas, nem conseguirei citar todas, mas basicamente são cidadãs e cidadãos.
 Afropress - Que entidades do movimento negro tradicional estão apoiando?
RF - Eu afirmaria que nenhuma. Quando se trata de movimento negro brasileiro contemporâneo neste ato cultural, como podemos observar a partir dos nomes citados, são grupos e pessoas totalmente novos. Gostaríamos muito de ter tido o apoio das entidades tradicionais do movimento negro. Mas temos um enorme problema acerca do qual, talvez, eu nem consiga tratar e explicitar bem porque eu nunca estive efetivamente conectada a nenhuma dessas entidades porque sempre discordei de algumas posturas.
Portanto, não sei bem a maneira como elas operam em se tratando dos negros da sociedade civil, pois o que vejo são diálogos truncados entre as próprias entidades, nem conexão nenhuma com a negra e o negro comum que não está vinculado à tais questões de forma consciente.
 Afropress - Como você está vendo o movimento negro brasileiro no momento atual e como vê a existência de uma ala chapa branca e governista que faz o papel de porta-voz dos Governos e dos partidos?
RF - Fica evidente, a partir desse ato cultural, que há uma questão a ser resolvida dentro do próprio movimento negro cujas entidades que o compõem não têm se mobilizado efetivamente, nas ruas, nos espaços públicos, conseguindo aliadas e aliados, trazendo à público a discussão de como nós negas e negros somos tratados pelo Estado brasileiro em nossas necessidades e especificidades.
Como uma pessoa homossexual mesmo pouco politizada adere à Marcha LGBT e uma pessoa negra na mesma condição acerca de sua identidade não adere ao movimento negro? O movimento negro possui discursos e ações que estão distantes das realidades dos negros e negras.  Tanto a linguagem quanto a atitude e atuação precisam ser renovadas e ainda não se percebeu que um desses motes de renovação é via cultura, via arte.
Há muitos artistas negras e negros pensando a nossa condição histórica por meio da música, das artes visuais, da dança, das artes cênicas, da literatura. O movimento negro e, muito possivelmente, a sociedade de maneira geral, não se deu conta de que as expressões artísticas, para além dos muros invisíveis dos museus, institutos, centros culturais, constituem-se como formas de pensamento que são protestos também.
A arte é o que fica da humanidade. Veja os legados das grandes civilizações, dos grandes povos, ele se materializa pela arte. E ela é sim uma importante ferramenta na construção dessa consciência negra, não somente no sentido do panfletarismo, mas da poesia também, da contemplação, da discussão, etc.
Não gostaria de adentrar nesta questão absolutamente política partidária, que envolve apontar os problemas dentro do atual Governo, da oposição e da situação, até porque sabemos que isso nem existe mais. Se é para falarmos de governos e de líderes, gostaria de lembrar apenas que nosso último grande líder ficou lá no século XVI e seu nome era Zumbi. Ainda, ou melhor, só rememoramos Zumbi e, vez ou outra, alguém se lembra de João Candido.
Para além deles, temos importantes nomes negros, pensadores e artistas, não conseguimos citar um nome de líder negro com peso no âmbito político.
Entretanto, a pergunta se refere à política, e nos Estados Unidos há um tal de presidente negro chamado Barack Obama, antes dele teve um tal de Malcom X, antes um Luther King, enfim, o século XX e XXI está acontecendo para o movimento negro estadunidense.
Nós estamos patinando, estamos na lama atolados e sem conseguir sair dela, até porque os irmãos aqui não estão estendendo as mãos uns para os outros, estamos no “salve-se quem puder”, cada um vendo o que interessa à sua entidade, que alianças podem ser feitas para beneficiar a si próprios, o que se ganha e se recebe em troca de determinados favores, um trabalho que não está sendo pensado para a população negra, salvo raras exceções, isso apesar de avanços como cotas raciais terem sido uma excelente conquista, mas que ainda não chegou às maiores universidades públicas do país.
Precisamos de líderes, de pessoas que não tenham receio de quebrar com seus partidos, e se quebrarem que outros negros e negras os apóiem, se mostrem irmãos, que a bandeira seja a nossa ancestralidade que não pensem em se autobeneficiar,  que estejam lá por todos, romanticamente por idéias e avanços, e como podemos ver isso, no movimento negro, isso só parece possível para quem não tem vínculos político partidários.
Afropress - Faça as considerações que julgar pertinentes.
RF - Salve, Cláudia, salve sua família negra batalhadora, sobrevivente como a minha, como a de muitos outros negros e negras. Não era para estarmos aqui. O projeto de imigração européia, uma série de leis que nos oprimiam e violentavam a nossa cultura herdada, como diz Makota Valdina, “nossos modos negros de ser e de viver”, contudo, aqui estamos.
Ainda citando essa sábia, essa mulher maravilhosa que esse país não conhece, “com o poder nas mãos, o que vamos fazer? Faremos que nem os brancos?”, algo assim. O que faremos quando tivermos com o poder nas mãos? Tudo do mesmo jeito? As entidades do movimento negro têm feito tudo do mesmo jeito.
Gostaríamos de agradecer a todos que acreditaram nessa ideia, simplesmente porque tão quanto ou mais indignados do que nós, os organizadores. Tenho um doutorado para terminar, uma casa e um filho pequeno para criar, pão para ganhar e não é possível que pessoas que têm muito menos a fazer diáriamente não tenham algum tempo para pensar e agir coletivamente. Ah, isso tudo o que disse, alguém vai ler e dizer: “tinha que ser artista”. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Plano para cultura afro-brasileira começa a ser elaborado- Portal Brasil

Nos dias 14 e 15 de abril, o Grupo de Trabalho do Colegiado Setorial de Cultura Afro-Brasileira se reunirá no auditório da Fundação Cultural Palmares, em Brasília (DF), para debater as estratégias de construção do Plano Setorial para a Cultura Afro-brasileira. É mais um passo para o reconhecimento e a valorização das manifestações culturais e artísticas negras brasileiras como patrimônios nacionais.
A construção do Plano Setorial para a Cultura Afro-brasileira, que está respaldada no cumprimento da meta de número 46 do Plano Nacional de Cultura (PNC), será coordenada pela Fundação Palmares, e terá como primeira etapa a definição dos seus eixos de atuação, bem como metas e ações, que deverão, após aprovação, orientar a elaboração e implementação de políticas públicas para a cultura afro-brasileira.
Primeiro encontro
Um dos principais objetivos desta primeira reunião é discutir a estratégia de ampliação dos debates para a construção do Plano. De acordo com o diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da FCP-MinC, Lindivaldo Júnior, a participação de todos os agentes da cultura negra é importante. “Somente conhecendo as ideias e necessidades de quem faz a cultura afro-brasileira é que poderemos criar um Plano que atenda a todos e seja verdadeiramente democrática”, pontua.
“É importante estudarmos e entendermos as metas do PNC e suas interfaces para que possamos construir um Plano que contenha metas factíveis, e ao mesmo tempo, possa dialogar com os outros planos setoriais para que seja efetivado também nos planos municipais e estaduais”, afirma.
Foco no patrimônio afro-brasileiro
Para o diretor da FCP-MinC, existe atualmente um esforço brasileiro na consolidação das políticas de ações afirmativas e, segundo ele, esse é o momento ideal para a criação de um instrumento focado na promoção, no fomento e na preservação do patrimônio cultural afro brasileiro.
“É nosso dever consolidar políticas públicas que valorizem e reconheçam a cultura afro-brasileira e suas contribuições históricas para a formação da cultura brasileira”, aponta. “Mas, para que isso aconteça, é necessário estimular o debate e a reflexão buscando nessas referências as bases para um plano construído de forma democrática e inclusiva”, analisa o diretor.
Próximas etapas
As próximas etapas envolvem reuniões e debates de caráter nacional que estimulem a sociedade a refletir sobre a importância do Plano para a cultura nacional. “O plano será o norteador da política de cultura afro-brasileira e, o seu ponto mais forte, é que ele está sendo feito em parceria com as lideranças escolhidas pela sociedade para tal”, argumenta Lindivaldo Júnior. “Para nós, o mais importante é alcançar o máximo de contribuição de todos os municípios, para que quando o documento final seja aprovado, todos se sintam contemplados”, afirma.